Compulsões /


Compulsões são comportamentos repetitivos que a pessoa se sente compelida a executar para diminuir a ansiedade associada às obsessões que o afligem. São atos voluntários realizados com a intenção de afastar ameaças, prevenir falhas ou simplesmente aliviar um desconforto. São comportamentos aos quais o indivíduo não consegue na maioria das vezes resistir. O comportamento compulsivo se caracteriza por uma pressão interna que, em determinadas situações, faz com que a pessoa seja tomada por desejo muito forte de realizar uma ação que gera prazer principalmente nos estágios iniciais, mas que depois provoca sentimento de culpa e mal-estar.

Os comportamentos compulsivos podem estar ligados a situações que provocam prazer, como fazer compras ou passar horas em frente ao computador. Esses comportamentos, tanto quanto os relacionados com o uso de drogas como com o mecanismo de prazer podem adquirir características patológicas, de certa forma incontroláveis.

Exemplos de compulsões: lavar as mãos repetidas vezes para proteger-se de germes ou contaminação; verificar repetidamente a porta, as janelas, gás, fogão para eliminar dúvidas e ter certeza; alinhar os objetos para que fiquem simétricos ou na posição exata; acumular ou armazenar objetos sem utilidade e não conseguir descarta-los; repetições diversas: tocar, olhar fixamente, bater de leve, raspar, estalar os dedos ou as articulações, sentar e levantar, entrar e sair de uma peça, que nem sempre são precedidos por uma obsessão.

As compulsões também podem ser atos mentais como contar, rezar, repetir palavras, frases em silêncio, repassar argumentos mentalmente, substituir imagens ou pensamentos "ruins" por imagens ou pensamentos "bons". Da mesma forma que as compulsões motoras, as compulsões mentais são executadas com a finalidade de afastar uma ameaça e eliminar a ansiedade, o medo ou o desconforto.

As compulsões atuam de forma que a pessoa obtém prazer imediato como é o caso da compulsão sexual, comer compulsivo, comprar compulsivo, malhar compulsivo, trabalhar compulsivo, compulsão a jogos eletrônicos e Internet, a jogos de azar.

Correspondem a hábitos específicos que se perpetuam apesar de terem um caráter frequentemente inconveniente ou mesmo nocivo. São exemplos de compulsões o ato de roer as unhas, os variados tipos de automutilação, como por exemplo se ferir com as próprias unhas, assim como os transtornos obsessivo-compulsivos (TOC).

Os comportamentos compulsivos provocam uma redução de ansiedade, por exemplo, se alguém está muito nervoso e desenvolveu a compulsão de roer as unhas, será nessa hora que o fará, posto que isso provocará uma melhora do estado emocional. Em uma frase: as compulsões provocam um tipo especial de prazer que se caracteriza pela existência de um desconforto inicial que se atenua através da realização do ato compulsivo.

Os rituais repetitivos do portador de TOC aliviam uma ansiedade que só se esvai por esse meio. A compulsão por arrancar os cabelos (tricotilomania) só se perpetua por ter se transformado em “remédio” para a ansiedade que acompanha aquela pessoa em determinadas situações.

As compulsões alimentares ligadas à ingestão exagerada de comida (ou de certos doces) seguem o mesmo trajeto: apazigua a sensação de desamparo que nos maltrata em determinados momentos do dia ou da semana. Aquelas ligadas à recusa em se alimentar (anorexia) parecem relacionadas inicialmente ao prazer de se ver magra, que depois se transforma em algo mais complicado, onde o ato de comer aparece como a quebra de um ritual que alivia certas tensões, além de fazer bem à vaidade. As compulsões alimentares são mais complexas porque, além do alívio da sensação dolorosa de desamparo, trazem consigo também um “prazer positivo”, sensação agradável que não depende da presença de um desconforto prévio.